Reflexões sobre o racismo, o Banzo e o Blues.
Função e campo do recalque e do luto no contexto da cultura: Reflexões sobre o racismo, o Banzo e o Blues função e campo do recalque e do luto no contexto da cultura
O presente artigo parte da concepção de memória na psicanálise freudiana, visando discutir a dialética lembrança-esquecimento mais especificamente no contexto da cultura. Desdobraremos a complexidade dos mecanismos presentes no esquecimento a partir da noção de recalque, e ainda averiguaremos a singular relação entre o esquecimento e o trabalho de luto, para daí depreender suas consequências tanto para o sujeito quanto para a cultura. Os efeitos da operação do recalcamento serão avaliados em alguns fenômenos da cultura, como o racismo, o banzo e, em contrapartida, a invenção do blues, como resultado da operação de luto, possibilitando a criação.
“Para quem deseja aprofundar o conhecimento sobre o tema, o artigo completo está disponível na base científica SciELO Brazil, uma das mais importantes plataformas de publicações acadêmicas da América Latina. Acesse a leitura integral clicando no botão abaixo.”
O filme “Pecadores” trata de forma muito bela o que está em jogo na criação do Blues, a tentativa de um povo em manter e sustentar algo que lhe é íntimo e caro, restos daquilo que foi possível conservar dos seus e de seu território, de onde foram violentamente arrancados. Vemos o colonizador construir a narrativa do perigo, atacando a musicalidade e a voz do povo negro, lugar de produção e reconhecimento a partir das suas origens. O Blues é fruto de um trabalho de luto, da elaboração de um povo diante de tantas perdas, tentativa de conservar em si e no laço social um traço do que foi perdido, é uma forma de não se entregar a morte, como na melancolia – banzo, ou de não repetir o horror da segregação via os retornos do recalcado, como lemos pelo racismo. “O blues conserva uma memória cultural efeito de um luto bem sucedido frente às perdas e privações decorrentes da memória traumática da escravidão. O blues faz ressoar o objeto perdido, compondo-o com ritmo, melodia, tons… Há um reconhecimento da dor, aliado a uma possibilidade de fazer algo com ela para a continuidade da vida”.
